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Como funciona o CoreBIM

O percurso da informação, do esboço à manutenção do edifício

O CoreBIM organiza a informação de um projecto de construção segundo a norma ISO 19650. Esta página explica quem faz o quê, por que estados passa cada ficheiro e como o trabalho avança desde a primeira ideia até à obra construída e à sua manutenção. O CoreBIM não desenha modelos. Os projetistas modelam nas suas ferramentas e o CoreBIM guarda, organiza e controla a informação que daí sai.

Quem é quem

Cada pessoa tem um papel claro no processo.

IntervenienteQuem éO que faz
Dono de Obra Quem encomenda e paga a obra (o cliente). Define os objetivos e o que precisa de receber no fim.
Coordenador de Projeto O responsável por toda a informação do projecto, muitas vezes o Gestor BIM ou o arquiteto que coordena. Prepara o projecto no CoreBIM, define as equipas e as regras, revê o trabalho e autoriza o que é publicado.
Projetista O técnico de uma especialidade: arquiteto, engenheiro de estruturas, de águas, de eletricidade, etc. Produz a informação da sua especialidade e carrega-a no CoreBIM.
Empreiteiro A empresa que constrói a obra. Usa a informação publicada para construir e devolve a informação de como ficou construído.
Gestor do Ativo Quem opera e mantém o edifício depois de pronto. Usa a informação final para fazer a manutenção ao longo dos anos.

Os quatro estados de um ficheiro

Cada ficheiro (a que chamamos contentor de informação) passa por quatro estados. O estado diz a toda a gente em que ponto a informação está e quem a pode ver.

Trabalho em Curso
O rascunho da equipa. Quem está a produzir trabalha à vontade, corrige e repete. Só a própria equipa vê. Mais ninguém.
Partilhado
A informação foi revista e está pronta para as outras equipas verem. Serve para coordenar entre especialidades e detetar conflitos.
Publicado
Aprovado e em vigor. É a versão oficial em que todos confiam e que serve de base ao trabalho seguinte.
Arquivado
Uma versão antiga, guardada para histórico. Nunca se apaga, fica disponível para consulta e para provas de auditoria.

O percurso passo a passo

Use o exemplo de um arquiteto. O mesmo percurso aplica-se a qualquer especialidade.

0
O coordenador prepara o projecto. Cria o projecto no CoreBIM, define as equipas de trabalho, a regra de nomenclatura e o dicionário (especialidades, fases, tipos de ficheiro). Convida os projetistas.
Interveniente: Coordenador de Projeto
1
O arquiteto modela na sua máquina. Trabalha na sua ferramenta (Revit, ArchiCAD) no computador dele. Move paredes, testa soluções, corrige. Não precisa de pedir aprovação por cada alteração. Este trabalho ainda não está no CoreBIM.
Interveniente: Projetista (arquiteto)
2
Exporta o entregável. Quando tem uma versão pronta para mostrar, gera os ficheiros de entrega: o modelo em IFC, as peças escritas em PDF e os desenhos em DWG.
Interveniente: Projetista (arquiteto)
3
Regista e carrega no CoreBIM, em Trabalho em Curso. Cria um contentor e carrega os ficheiros dentro da sua equipa de trabalho. Fica visível só à equipa de arquitetura.
Interveniente: Projetista (arquiteto)
4
Continua a melhorar, em revisões. Cada nova exportação é uma nova revisão (P01, P02, …) do mesmo contentor, ainda em Trabalho em Curso. Ninguém de fora vê estas versões intermédias.
Interveniente: Projetista (arquiteto)
5
Submete para revisão. Quando está pronto a partilhar, pede ao coordenador (ou ao revisor designado) que verifique. Indica quem deve aprovar e deixa um comentário.
Interveniente: Projetista submete; Coordenador/Revisor recebe
6
O coordenador aprova e o contentor fica Partilhado. Se o coordenador aprovar, a informação passa a Partilhado e as outras equipas já a podem ver. Se devolver, volta a Trabalho em Curso com o motivo registado.
Interveniente: Coordenador de Projeto
7
As equipas coordenam entre si. Com a informação partilhada, as especialidades comparam os seus modelos, procuram conflitos (uma viga que choca com uma conduta) e ajustam.
Intervenientes: todas as equipas
8
O coordenador autoriza a publicação. Quando a informação está coordenada e validada, o coordenador autoriza a publicação. O contentor passa a Publicado, fica em vigor e serve de base à fase seguinte.
Interveniente: Coordenador de Projeto

As fases de um projeto

O percurso acima repete-se em cada fase. A cada fase, a informação fica mais detalhada e mais próxima da obra real. Em obra pública portuguesa, as fases seguem a Portaria n.º 255/2023 (que substituiu a antiga 701-H/2008).

1. Programa Base

Verifica se a obra é viável e estuda soluções alternativas. A informação é ainda geral.

2. Estudo Prévio

Escolhe-se a solução que melhor responde ao que o dono de obra pretende. Define-se a conceção geral.

3. Anteprojeto

Desenvolve-se a solução escolhida e fixam-se as bases definitivas. O detalhe aumenta.

4. Projeto de Execução

Produz-se tudo o que é preciso para construir com rigor: peças escritas, desenhos e mapa de quantidades.

Quando o projecto exige licenciamento na câmara municipal, o pedido é submetido com a informação da fase correspondente. O licenciamento é um processo legal à parte, não uma fase de desenho.

Da obra à manutenção

O CoreBIM acompanha a informação para lá do desenho do projecto.

Obra (construção). O empreiteiro usa a informação publicada para construir. À medida que constrói, produz a informação de como a obra ficou (as chamadas telas finais). Essa informação entra no mesmo percurso: Trabalho em Curso, Partilhado, Publicado.
Interveniente: Empreiteiro
Entrega do edifício. No fim da obra, a informação do projecto é entregue ao dono de obra e passa a ser a informação do edifício construído. A ISO 19650 chama-lhe a passagem do modelo do projecto (PIM) para o modelo do ativo (AIM).
Intervenientes: Coordenador entrega; Dono de Obra recebe
Operação e manutenção. Ao longo dos anos, o gestor do ativo usa esta informação para manter e operar o edifício. Cada intervenção (uma reparação, uma alteração) entra de novo no mesmo percurso, mantendo a informação sempre actual e com histórico.
Interveniente: Gestor do Ativo

Glossário

Os termos usados nesta página, em linguagem simples.

CDE (Ambiente Comum de Dados)
O espaço único onde toda a informação do projecto é guardada e partilhada. É o que o CoreBIM é.
Contentor de informação
Cada entregável gerido no CoreBIM (um modelo, um desenho, um documento), com a sua identidade, estado e histórico.
Revisão
Cada versão de um contentor. Os códigos P01, P02 são versões preliminares; C01, C02 são versões contratuais.
Equipa de Trabalho
O grupo de uma especialidade. Cada equipa tem a sua área de Trabalho em Curso, que as outras não veem.
Nomenclatura
A regra que dá nome a cada contentor de forma consistente, para que toda a gente perceba o que cada ficheiro é.
Especialidade
A área técnica do projetista: arquitetura, estruturas, águas, eletricidade, e por aí adiante.
Modelo federado
O conjunto dos modelos de todas as especialidades, juntos, para ver o edifício completo e coordenar.
PIM e AIM
O modelo de informação do projecto (durante a obra) e o modelo de informação do ativo (durante a operação do edifício).